EuroWire , BRUXELAS : A Comissão Europeia solicitou, em 22 de fevereiro, que os Estados Unidos forneçam "total clareza" sobre os próximos passos após uma decisão da Suprema Corte americana que afirmou que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional não autoriza o presidente dos EUA a impor tarifas. A Comissão declarou que Washington deve respeitar os termos do acordo comercial UE-EUA alcançado no ano passado e alertou contra mudanças que elevem os níveis tarifários sobre produtos da UE além do que foi previamente acordado.

A Comissão afirmou que a incerteza atual está prejudicando os esforços para alcançar um comércio e investimento transatlânticos “justos, equilibrados e mutuamente benéficos”. Ressaltou que “um acordo é um acordo” e enfatizou que os produtos da UE devem continuar a receber o tratamento tarifário mais competitivo possível, de acordo com o entendimento vigente. A Comissão informou que o Comissário de Comércio, Maroš Šefčovič, discutiu o assunto com altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores dos EUA, enquanto os contatos entre Bruxelas e Washington continuam.
O quadro comercial UE-EUA anunciado em agosto de 2025 estabeleceu parâmetros tarifários destinados a estabilizar as relações comerciais após disputas anteriores, incluindo um teto para as tarifas aplicadas a produtos originários da UE, juntamente com disposições específicas para cada produto. A Comissão citou esse quadro comercial em sua declaração de 22 de fevereiro e afirmou esperar que os Estados Unidos cumpram os compromissos já assumidos. A Comissão não anunciou novas medidas comerciais, concentrando-se, em vez disso, na necessidade de clareza e no cumprimento dos termos acordados.
Autoridade tarifária em disputa
A decisão da Suprema Corte anulou a base legal de um conjunto de amplas tarifas impostas sob poderes econômicos de emergência, forçando as autoridades americanas a ajustar a forma como essas tarifas seriam administradas. Após a decisão, as autoridades alfandegárias dos EUA emitiram orientações para suspender as cobranças relacionadas às ordens afetadas e desativar os códigos tarifários correspondentes assim que a mudança entrou em vigor, mantendo, porém, outros regimes tarifários distintos. A decisão e suas consequências administrativas imediatas suscitaram dúvidas para importadores e exportadores sobre quais tarifas seriam aplicadas na fronteira.
O presidente Donald Trump anunciou posteriormente uma sobretaxa de importação temporária e generalizada, com base em uma autoridade legal diferente, citando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Trump afirmou que a medida temporária seria aplicada por 150 dias, com exceções para mercadorias específicas, e mais tarde disse que a taxa seria elevada para 15%, o máximo permitido por essa autoridade. A Casa Branca emitiu uma proclamação estabelecendo a nova sobretaxa e listando as categorias de exceções.
A declaração da Comissão enquadrou a questão como uma de implementação e cumprimento, e não de renegociação, e afirmou que os Estados Unidos deveriam evitar medidas que aumentassem as tarifas sobre produtos da UE além do limite acordado. A Comissão também sublinhou a importância de condições previsíveis para as empresas que dependem de cadeias de abastecimento transatlânticas, incluindo fabricantes e exportadores que definem os preços dos produtos com meses de antecedência e que os movimentam ao longo de longos ciclos de transporte marítimo.
UE busca garantias sobre termos comerciais
A pressão política também surgiu dentro da União Europeia. Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, afirmou que proporia a suspensão do processo de ratificação do acordo comercial UE-EUA, descrevendo a situação como um "puro caos tarifário" e apontando para a incerteza que afetaria empresas e parceiros comerciais. A declaração da Comissão não abordou o cronograma parlamentar, mas os comentários destacaram o escrutínio interno a que quaisquer novas medidas relacionadas ao acordo serão submetidas.
Os Estados Unidos continuam sendo o maior parceiro comercial individual da União Europeia em bens, e a Comissão observou que mudanças repentinas nas tarifas podem afetar decisões de investimento, contratos de aquisição e a produção transfronteiriça. A Comissão afirmou que manterá contato com seus homólogos americanos e avaliará os próximos passos de Washington à luz dos compromissos já estabelecidos no entendimento transatlântico.
O artigo "UE busca esclarecimentos dos EUA após decisão da Suprema Corte sobre tarifas" foi publicado originalmente no Reynolds News .
